Amigos

20 de mai de 2010

Velhos anseios

Os verdadeiros rebeldes
ainda sugam nossa vida
para manter o controle
e nos fazer crescer


E eu nem queria crescer
só queria sentar no chão
sem precisar abrir mão
ou pedir licença


Não faço revolução
nem quero lutar pelo que quero
pois o que quero
não é lutar, só querer.


Guilherme Fontoura.

19 de mai de 2010

Discurso Heroico

Pago com a liberdade
Para ser o que quero
E faço com sinceridade
até ir-me ao chão


Valerá a pena admitir
que no fim de tudo
eu sei que vou ruir


só para ser
meu próprio herói
e não meu próprio pai




Guilherme Fontoura.

16 de mai de 2010

Os Gumes

Se eu te dissesse

poemas sem preço
frases do avesso
com muito apreço

me mandaria embora
com a frase sonora?

ou sentiria verdade
nessa vil dubiedade? 


Guilherme Fontoura.

15 de mai de 2010

Samba de independência

Cansei de precisar de você
para matar minha sede.
Preciso me sedar,
como preciso me saciar


Quero jogar ao vento
Todo o meu sofrimento
Mas sempre que tento
me escapar e correr


Acabo me esbarrando em você
Que sempre me impede
me pede e me derrete
pra que eu não possa ir


Mas cansei de não fugir
de todos aqui
preciso construir
um lugar só de mim


Guilherme Fontoura.

13 de mai de 2010

Nota de rodapé

Aprendi a mostrar o que sou
a me expor não para todos
mas para quem quiser
ouvir sobre o que me restou


A cada dia que passa
um novo sentimento me abraça
e engrossa a carapaça
a cada vestígio que esfumaça




Guilherme Fontoura.

12 de mai de 2010

Do destino

Que bom que não é o destino
e nosso amor
não estava escrito nas estrelas
e era tudo que estava pedindo 


Guilherme Fontoura.

11 de mai de 2010

Sábado

Hoje levantei às duas
com a alma em chamas
e faces cruas


A sensação de regresso
a passos fortes
na mente impresso


O amor pela vida
surgiu como se fosse minha
como se pudesse ser lida


E a vontade de viver
como se fosse possível
não viver.


Guilherme Fontoura.

9 de mai de 2010

Ao leito

De você
Só espero que não me conheça
para que de minhas palavras
não se esqueça


Guilherme Fontoura.

8 de mai de 2010

Canto Amigo

Sei que és mortal
e nem assim temo
pois me penetra de tal forma
que estas comigo
como a água na areia úmida

E nada pode secar esta amizade
Nem mesmo eu, nem mesmo você
Pois em você, fiz cidade
E estou contigo até sem querer

Sua presença ainda me estranha
Mas você se tornou a fonte
quase que instantânea
da mais fiel cumplicidade

Te amo, de não ser preciso dizer
nem transparecer nenhuma razão
uma grande amizade se faz
no curto tempo de uma canção


Guilherme Fontoura.

4 de mai de 2010

Da limpidez

Não há como respeitar um "eu te amo"
Ao ser usada, a palavra perde o respeito
Não se ama para alguém
Não se fala que se ama
Como diria o poeta
"deixa em paz os passarinhos"


Guilherme Fontoura.

3 de mai de 2010

Poema Ruído

Se fosse fácil dizer
Tudo o que quero falar
Não seria assim tão doído
O medo de me expressar


Guilherme Fontoura.

1 de mai de 2010

A flor e o poeta

Me ensina a falar de flor?
Seja como for...
Que sempre que se pensa
no perfume, se adensa
o frio no peito íntimo
batendo cego e último.


Mas quando se quer tocar
Levemente se despetala
com um sorriso demente
não sei se chama
ou se mente


Guilherme Fontoura.