Amigos

7 de out de 2011


Era a flor mais nova da primavera, a única do pomar que havia por ali na esquina - onde era mesmo?. Resplandecia amarela numa noite encalorada de domingo e eu sempre andava alguns passos a mais pra poder vê-la quando saía de casa para qualquer lugar. Fingia errar o caminho, às vezes errava sem querer, às vezes ia sem fingir. Parava e, dia ou outro, me esforçava para cravar-lhe os olhos, mas eles sempre davam um jeito de escapulir do alvo como se fosse o próprio fruto proibido (era só uma flor). Sempre quis ver como seria tomar uma chuva olhando pra ela. Pois é, a natureza deve ter suas razões: a chuva caiu e aquela foi a flor mais breve da primavera, e as mais belas depois povoaram o pomar, mas a minha foi breve.

Guilherme Fontoura.