Amigos

17 de nov de 2010

Tchau, amigo!

Boa vida, possíveis leitores (não desejo dia, tarde ou noite por não saber quando lerão)

Hoje vou postar um texto não poema que tive vontade de escrever, então tenham paciência comigo.

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Tchau, amigo

Há momentos na vida de nós meninos que nos convencemos de que estamos de fato deixando de ser meninos e nos tornando homens. Eu me lembro de alguns desses momentos em que me senti o mais maduro e corajoso de todos os vikings, e hoje pela manhã um deles me veio em mente. Foi a primeira vez que descasquei uma laranja: eu havia ganhado um canivete suiço de aniversário (coisa de moleque, quem entende?). Aquela apreensão de fazer uma tarefa tão simples na qual eu havia me aventurado poucas vezes e, nessas poucas vezes, sempre falhara... Mas sim! Decidi que descascaria aquela fruta que me desafiava, afinal o que seria de um homem que já possuía sua espada e não tinha coragem de abater o terrível dragão?

Claro, a vida não é tão emocionante assim, eu só não queria descascar porque eu sempre feria aquela parte branca, e quando ia comer a laranja ficava escorrendo caldo, mas o primeiro descascar de uma laranja é um fato que eu considerava de extrema importância. E foi.

Quando tirei a última porção de casca, e não havia uma ferida sequer na fruta, a sensação que tive foi de independência. O céu era meu limite. Se eu conseguia descascar uma laranja o que eu não poderia fazer?

Outro momento memorável foi quando aprendi a assoviar (ou assobiar, foda-se) daquele jeito que fica bem alto, quando se usa os dedos. Como alguém pode ter uma infância e não aprender a assoviar alto?

O bom (ou ruim) é que uma hora a gente cresce. Cresce descascando laranjas e assoviando feito bobos.

Acho que eu fui um menino meio bobo, brincando até quando tinha graça, até quando me foi permitido ver graça das tardes quentes e preguiçosas da minha cidade pacata do interior. Mas teve bom!


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15 de nov de 2010

De Quando em Quando

De quando em quando penso em ti
Sem a menor vergonha
Sem o menor pudor
Para sentir o passo
Sem sentir dor
Sem compasso


É sempre meu embaraço 
Abrir teus lábios
No melhor momento
Vilões do meu segundo
De quando em quando
Se esvaem com o vento 


Por causa de ti
Procuro o vento


Guilherme Fontoura.

10 de nov de 2010

Para a sorte do acaso

Você não vai fazer uma música
Você quer a dor do mundo
Pede como um mico de zoológico
Ajoelhado como se fosse comum


Ao menos uma escadaria falasse
Te diria com pena, antevisto
"Desgraça mesmo sem classe,
ninguém vai te pegar para cristo!"


Guilherme Fontoura.

6 de nov de 2010

Molhado

Molhado

E devagar a vida cai, com medo de ter medo.
calado por medo de ninguém me ouvir,
fechando os olhos por medo de cegar,
abrindo mão por medo de perder.

Mas não quero deixar de colher a rosa
por medo do espinho me ferir,
as feridas passadas vou deixar para trás.

Então vou tentar continuar gostando,
mesmo com medo de amar.

Por causa desse medo te gosto ainda mais.