Cego tocando piano em terreiro
de onde os crentes vão saindo
param com certo cheiro de cinzeiro...
... apaga o cigarro e acende o cachimbo
Guilherme Fontoura.
Amigos
15 de set. de 2010
2 de set. de 2010
À Deus
Deitado na cama quente, descrente
apoiando a face no travesseiro
coçando a barba sem um fio de cor
olhando o quarto sem sombra de gente
24 horas para respirar
já lhe trocaram o relógio sem corda
ele, sorri olhando para o porta
crítico, cético, começa a tear
receia sentir tamanho conforto
pensa carinhoso no vizinho chato
pensa na vida como um sapato
coisa ruim é se ver morto
a porta se abre num fino divisor
quando a luz gera estranho apetite
sua vista força para que acredite
um delírio, uma visão, um senhor.
Guilherme Fontoura.
apoiando a face no travesseiro
coçando a barba sem um fio de cor
olhando o quarto sem sombra de gente
24 horas para respirar
já lhe trocaram o relógio sem corda
ele, sorri olhando para o porta
crítico, cético, começa a tear
receia sentir tamanho conforto
pensa carinhoso no vizinho chato
pensa na vida como um sapato
coisa ruim é se ver morto
a porta se abre num fino divisor
quando a luz gera estranho apetite
sua vista força para que acredite
um delírio, uma visão, um senhor.
Guilherme Fontoura.
30 de ago. de 2010
Quando a noite aparecer
E agora sou eu que me encontro aqui, assim
com essa voz oca e espírito fraco
minha alma quer se mudar agora de mim
e espera para saber onde atraco
Chegar, te furtar para o meu barraco
com um laço forte de linho ou de cetim
amarrar teu lindo sorriso mulato
fazer de ti meu delicioso alecrim
colar com força e vontade
arranhar-te a garganta
com um forte colar de saudade
quando muito me espanta
tais rodeios para dizer,
ancioso até teu alvorecer.
Guilherme Fontoura.
com essa voz oca e espírito fraco
minha alma quer se mudar agora de mim
e espera para saber onde atraco
Chegar, te furtar para o meu barraco
com um laço forte de linho ou de cetim
amarrar teu lindo sorriso mulato
fazer de ti meu delicioso alecrim
colar com força e vontade
arranhar-te a garganta
com um forte colar de saudade
quando muito me espanta
tais rodeios para dizer,
ancioso até teu alvorecer.
Guilherme Fontoura.
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